quinta-feira, 13 de junho de 2013

O QUE É RADIOTEATRO?

 A obra é baseada na tese de doutorado do autor Ricardo Medeiros.

Capítulo 01
A emoção pelas páginas dos jornais e livros
1 – Novelas
• Brasil, 1808. - Passa a fazer parte do cotidiano dos brasileiros, com a chegada da corte portuguesa.
• 1810 a 1818 – A Impressão Régia editou mais de vinte novelas para burguesia. O público era feminino, e a maioria da população analfabetos do regime escravocrata.
• Textos usados como forma de reforço dos costumes da época.
• Eram partilhados em grupo, onde uma pessoa assumia o papel de narrador.
• José de Alencar, conta na sua biografia Como e porque sou Romancista , sobre as rodas de leitura.
• Maioria de origem francesa, que já tinha em 1890, 90% de sua população alfabetizada.
• No século XVIII eram 600 a 700 títulos produzidos; em 1850 7.658 e em 1889 somente o jornal Petit Parisiense era responsável por 775.000 exemplares.

2 – Folhetins
• Também vindo da França, mantinha uma ligação com a publicidade para o aumento da tiragem do jornal.
• Folhetim no séc XIX, designava na França um lugar preciso do jornal: o rodapé, onde permitiam-se todas as formas e modalidades de diversão escrita: piadas, histórias de crime e monstros, discutia peças e livros, também usado para se treinar a narrativa (por noviços do gênero)
• Publicar as histórias em pedaço foi um forma de vender jornais diariamente , os já conhecido como folhetim. La Siécle, começa a publicar em 1836 a obra de origem espanhola Lazarillo de Tormes.
3 – Cultura de massa
• O romance popular sinônimo de folhetim, tornou-se o primeiro produto da cultura popular
• 1840 já era totalmente difundida na França e independente da política dos jornais, todos tinham os chamados folhetins.
• 1863 a população de baixa renda passa a ter acesso ao romance popular,
4 – Leitor intervém na história
• Os leitores enviavam cartas para a redação sugerindo rumos para a história, querendo falar pessoalmente com os personagens dos romances publicados no jornal.
2.1 – Folhetins chegam ao Brasil
• Em 1838 já fazíamos tradução de autores franceses e muitos escritores brasileiros tiveram suas publicações seriadas.
• A ópera o Guarany contava a história de Peri o primeiro herói nacional
• O folhetim como a novela nunca chegou a ser popular, consumado pela elite seu declínio já era evidente a partir de 1885
• 50 anos depois voltou mas não nos jornais, mas sim no rádio.
Capítulo 2
O Rádio conta história
• Primeira estação de rádio 02/11/1920 nos EUA
• Inserção nos EUA do folhetim no rádio em 1930
• Entre 1930 e 1934, 90% da população urbana dos EUA possuía um rádio
• Os anunciantes usavam o intervalo da radio novela para dirigir mensagens comercias para o publico-alvo. Mulheres
• A radioteatralização americana servia para vender idéias e produtos - 
Estilo cubano de radionovela
• Difundido em toda América Latina.
• Em 1932 Havana, possuía proporcionalmente um número maior de emissoras do que Nova York, e havia um receptor para cada 04 pessoas.
• 1934 as emissoras locais irradiavam o embrião do gênero radionovela – histórias de aventuras de Chan Li Po inspirada no detetive chino-americano Charlie Chan, assinadas pelo escritor Félix Caignet.
• Em 1935 Cuba se lançou aos dramas novelescos utilizando o tom melodramático, com histórias com começo, meio e fim. Em termos de estrutura dramática as histórias traziam 04 personagens básicos: o traidor, o justiceiro, a vítima e o bobo.
• 1935 – Argentinos entram neste no ramo e são considerados os mestres deste produto cultural na América do Sul. Aumento dos receptores nos lares portenhos
• Os artistas de rádio argentinos tiravam fotos em set montados conforme o script da novela, e essas fotos eram enviadas para os jornais.
• Foi através das novelas das Lintas (agência da atual Unilever) que se projetou para o mundo Maria Eva Duarte, que se tornou Evita Péron.
Capítulo 3 – Radioteatro tupiniquim
• No Brasil o rádio é introduzido num momento de abertura do início do capitalismo, pós-abolição da escravatura (1888) e proclamação da independência (1889). Em 1920 a fotografia, o gramofone e cinematógrafo.
• Neste cenário em 07 de setembro de 1922 acontece a primeira transmissão radiofônica no Rio de Janeiro, com apoio de multinacionais
• 20 abril de 1923 criação da Rádio Sociedade Brasileira. Primeira emissora brasileira
• Roquette Pinto, o pai do radio no Brasil queria levar informação e arte a todos os brasileiros, porém em 1920 80% da população era rural , sendo 64% analfabeta.
• 1930 – 30 emissoras entre São Paulo e Rio de janeiro, mantida por acionistas que ouviam com exclusividade os programas como: música clássica, óperas, poesia, palestras e algumas notícias
• No início da década de 30 Getúlio Vargas, transforma o rádio em uma concessão do governo e começa a usar a rádio para assuntos políticos e governamentais, o que desconfigura a programação existente e torna a rádio mais popular, causando inclusive desgosto na classe alta.
1 – Teatro em casa
• A princípio a Rádio PRA 2 de Roquette Pinto, levava ao ar peças de teatro, era o texto transportado para o rádio sem nenhum tratamento especial, nem apoio de músicas, ruídos ou efeitos.
• Os atores deveriam ser bons leitores pois o script era entregue minutos antes de entrar no ar.
• Em 1936 outra emissora aposta na interpretação de textos no rádio, e o país já conta com mais 54 emissoras e aparelhos receptores mais baratos.
• Neste período foi muito freqüente o aumento de rádios pelo país, com programas voltados para o radioteatro com as seguintes modalidades:
o Peça completa: um texto de teatro, aí já feio com efeitos especiais, de autores conhecidos internacionalmente, Os Miseráveis, O Conde Monte Cristo, Quo Vadis, O Morro dos Ventos Uivantes, etc.
o Seriado: eram texto com tema policial, inicialmente Sherlock Holmes e depois um herói nacional, que acontecia em capítulos, mas cada um podia ser visto com começo, meio e fim.
o A terceira modalidade era a radionovela, que viria em 1941. Dividido em muitos capítulos deveria ser acompanhado passo a passo. Tempo de derramar lágrimas e assimilar as mensagens publicitárias.
CAPÍTULO 4 – Radionovela nos lares brasileiros.
• Radio Nacional de controle do governo de Getúlio Vargas, possuía cinco departamentos, radioteatro, musical, jornalístico, esportivo e administrativo. Era a melhor transmissão técnica e se tornou uma Hollywood Tupiniquim, onde seus artistas – cantores, atores e atrizes – eram venerados pelo público.
o Em busca da felicidade – texto cubano, foi um experimento da rádio Nacional que começou, apesar do olhar de pessimismo dos radialistas e atores, a veicular a novela no horário da manhã. Entretanto os patrocinadores Colgate Palmolive e Standar, que já tinham uma experiência de sucesso nos EUA e América Latina, apostaram na receita e num texto que envolvia um triângulo amoroso, fizeram um concurso para saber o nome do filho do bebê do casal e receberam 48 mil cartas. Os atores eram reconhecidos na rua, e o retorno superou as expectativas.
Os capítulos sempre iniciam com uma narradora lembrando o que aconteceu no capítulo anterior.
o A predestinada – Tradução de texto argentino feita por Oduvaldo Viana, em uma rádio de São Paulo a PRA-5, que importou a expressão novela que português significa conto ou romance curto. Porém o termo foi deturpado e usado para designar as histórias em capítulos.
Oduvaldo Viana, escreveu a primeira trama de autor brasileiro: Fatalidade. O volume de cartas era tão grande que o correio designou um caminhão fechado para fazer o transporte da correspondência diária.
A história foi tão alongada que restou ao autor provocar uma fatalidade matando todos os personagens numa explosão, restando apenas o mocinho e a mocinha.
3 – Fórmula de sucesso
o Os textos eram basicamente escritos para mulheres reforçando o pensamento machista acerca da virgindade, castidade e submissão da mulher. Reforçando a idéia de que moça de família tem que se guardar para o casamento e de que se há traição é porque a mulher não foi suficiente para o homem. Além disto temas como dupla personalidade, mistério no nascimento, falsa identidade, falsas mortes, triangulo amoroso, vingança, polarização entre pobreza e riqueza, eram tidos com fórmula certa de sucesso.
4- Multinacionais comandam os dramas
o As empresa multinacionais que já patrocinavam as radionovelas na América Latina, Cuba e EUA, entraram com tudo no mercado brasileiro, sendo que algumas possuíam sua própria agencia que trabalhava com uma produtora contratando escritores, atores e comprando um horário fixo nas rádios.
o As vezes as radionovelas eram gravadas em vinil e enviadas para as rádios do Brasil ( Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Recife.
o Outras vezes, existia um elenco local no Rio e outro em São Paulo gravando a mesma radionovela.
5 – Rádio Nacional: a grande vitrine
o A Rádio Nacional foi aumentando o número de radionovelas difundidas em seu horário de programação, chegando a 9 novelas semanais no seu pico.
o Os aparelhos de rádio ainda eram escassos, os maiores números se concentravam no Rio de Janeiro capital federal, e em São Paulo, mesmo assim a rádio Nacional aumentou no período de 1940 a 1946, sete vezes o seu faturamento com publicidade.
o Apesar do baixo número de aparelhos receptores, existia a prática da radiovizinhança.
6 – O direito de nascer
o 1950 e os críticos acreditavam que a rádio novela estava em decadência. Eram 243 emissoras no país e mais de 03 milhões de aparelhos de rádio. Surge neste momento o folhetim Direito de Nascer, tradução de um texto cubano.
o O Brasil praticamente parou para ouvir este folhetim. Numa ocasião que faltou energia elétrica no Rio de Janeiro a rádio recebeu 97 mil cartas pedindo a reprise.
o Foi também a primeira novela na TV em 1964, e o último capítulo foi gravado no Maracanãzinho com 25 mil pessoas.
o Na Colômbia também aconteceu o mesmo sucesso.
7- Atores endeusados
o A vida dos atores começa a ser de interesse público.
o Várias revista sobre os atores do rádio
o Declarações de amor e herança das fãs.
o Era o universo da imaginação tomando corpo para o público das mulheres brasileiras, as donas de casa.
Capítulo 5 – Escritores e audiência das radionovela
1 – Produtores de sonho
o Varios autores e autores se destacaram no criação de texto para radio novela. Entre eles Oduvaldo Viana com mais de 100 novelas.
o Mário Lago. Saint-Claire Lopes
o Janete Clair, Ivani Ribeiro, Heloísa Castelar
2 – Preconceito e exploração
o A radionovela foi alvo de preconceito dos autores de livros e dos intelectuais que a consideravam subliteratura, assim como desprezavam o samba
o Os autores eram mau pagos e obrigados a assinar contratos, onde não recebiam direitos autorais por 10 anos.
3- Audiência de radionovela
o Era medida inicialmente pela quantidade de cartas recebidas na rádio.
o Em 1930 as patrocinadores faziam pesquisa de opinião
o Em 1940 inicia-se o Ibope em São Paulo e Rio de Janeiro
o O público maior era feminino com horários específicos
o Homens e crianças também ouviam o rádio em horários menores que das mulheres.
Decadência
O custo da produção das radionovelas era muito alto e com o crescimento datelevisão, ocorreu um fenômeno de migração da verba publicitária para o novo veículo. Isso explica, em grande parte, o abandono do gênero radionovela pelo rádio. Ao longo da década de 60, algumas emissoras ainda mantinham alguns horários de radionovelas ou de programas de rádio-teatro. Mas na década de 1970 o gênero desapareceu, apesar de algumas tentativas isoladas de reativá-lo. E com isso a radionovela foi se adaptando à nova era das televisões. Todas as radionovelas foram refeitas para as telenovelas. Na década de 70 praticamente não existiam mais radionovelas, só nas cidades do sul, mas ao poucos foram saíndo do ar, por causa das adaptações à televisão.
Curiosidades
•    Para fazer a sonoplastia tanto de fogo, quanto de chuva usa-se o mesmo recurso: amassar lentamente, diante do microfone, um pedaço de celofane.
•    Muitos acreditavam que as radionovelas jamais alcançariam sucesso, alegando que eram "infindáveis", que "ninguém iria acompanhar". Curiosamente, as radionovelas deram origem às telenovelas, que hoje fazem imenso sucesso no Brasil e no mundo.
•    Eram irradiadas, inicialmente, às segundas, quartas e sextas-feiras ou as terças, quintas e sábados. As durações eram variadas, iam de dois meses até dois anos, como foi o caso de Em busca da felicidade, que foi irradiada de 1941 até 1943, e Direito de Nascer, que ficou três anos.
•    A primeira radionovela em Cuba foi ao ar em 1931 e na Argentina em 1935. Cuba se tornou um grande exportador de novelas radiofônicas para toda a América Latina. Esta situação está bem ilustrada no romance de Varga Llosa, Tia Júlia e o Escrivinhador, ambientado em Lima, na década de 1950.
•    A iniciativa de colocar a novela Em busca da Felicidade no ar partiu da Standart Propaganda, a agência de propaganda do Creme Dental Colgate.[2]
•    O público alvo das radionovelas era o feminino, os grandes anunciantes desse tipo de programação eram os fabricantes produtos de limpeza e de higiene pessoal. Uma pesquisa do IBOPE, realizada em janeiro de 1944, apontava a seguinte audiência para o período de 10hàs 11h da manhã: 69,9 % de mulheres, 19,5% de homens e 10,6% de crianças.
•    A Rádio Nacional, em especial, liderava a audiência em praticamente todos os horários.
Referências
1.   ↑ Radionovelas Lopez Freire.
2.   ↑ a b :Em busca da felicidade - 50 anos depois RádioClaret.
Ligações externas
•    Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira: Rádio Nacional
•    Livro A Era Do Radioteatro - Salvador, RC